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Temporada de ‘FIFA 17’ mostrou que o Brasil tem futuro promissor, dizem jogadores

Entre os dias 16 e 18, em Londres, foi realizado o FIFA Interactive World Cup, evento que fechou o cenário competitivo de FIFA 17 e reuniu os melhores jogadores da temporada, incluindo três brasileiros: Rafael “Rafifa13” Fortes, Lucas “Lucasrep98” Gonçalves e Henrique “Zezinho23xx” Lempke.

O título ficou com o inglês Spencer “Gorilla” Ealing, mas o torneio marcou mais uma grande participação do Brasil nos principais torneios do game de futebol da EA Sports. Os brasileiros que estiveram na Inglaterra conversaram com o ESPN eSports sobre sua participação no FIWC, o saldo da temporada e o futuro do país no cenário competitivo de FIFA.

Para começar, perguntamos qual a sensação de estar entre os melhores jogadores em um torneio tão importante após tanto esforço e treino. Rafael “Rafifa13” Fortes fica feliz em dizer que se sente orgulhoso, pois mesmo há bastante tempo no cenário competitivo, Londres e 2017 marcaram bastante o jogador. “Comecei a jogar competitivamente em 2012 e fui campeão de torneios nacionais desde então”, diz o jogador. “Participei de dois mundiais, mas tudo o que aconteceu, minha vitória no regional de Miami e a final em Berlim do Ultimate Series são coisas de outro mundo para mim. Fico feliz após ter trabalhado tanto ter a chance de enfrentar os melhores”, conta.

Lucas “Lucasrep98” Gonçalves e Henrique “Zezinho23xx” Lempke são ainda mais eufóricos, pois possuem menos tempo de “estrada”. Ambos disseram que até pouco tempo, eram espectadores e não protagonistas em FIFA. “Tenho pouco tempo, ‘caí de paraquedas’ no cenário. Há pouco tempo, era só mais um espectador, olhava vídeos no YouTube dos grandes jogadores e em Londres estava entre os melhores. É algo extraordinário”, conta LucasRep98.

Então, como é estar do “outro lado”? Lucasrep98 diz que é “tranquilo”, pois sempre tenta ajudar ao máximo ao próximo: “todos os grandes jogadores que se destacam são aqueles que ajudam os demais, que compartilham seu conhecimento. Toda dica que a galera pede eu tento ajudar ao máximo. Quero o quanto antes iniciar as minhas lives, postar meus vídeos no YouTube”.

INSTAGRAM/HENRIQUE_LEMPKE

Os jogadores posam junto com Thiago Milhazes, agente da carreira de Rafifa13 e Lucasrep98.
Os jogadores posam junto com Thiago Milhazes, agente da carreira de Rafifa13 e Lucasrep98.

Zezinho23xx falou sobre sua “nova vida” como um jogador competitivo que, mesmo com pouco tempo, brilhou em um mundial. Sua caminhada, curta no competitivo, teve o pontapé inicial no FIWC de 2016, quando ele era mais um espectador. “Quando consegui a classificação, não acreditei. Ano passado, nessa época, estava apenas assistindo as grandes partidas do FIWC e pensava ‘nunca estarei em um evento desses, pois, os participantes jogam demais”.

E mesmo quando resolveu jogar “para valer”, nem mesmo o modo Ultimate Team era seu preferido. “Quando FIFA 17 saiu eu jogava Pro Clubs, o modo que reúne até onze jogadores em cada time. Só depois passei a me dedicar ao Ultimate Team. Era um jogador bem regular, nada acima da média. Foi quando participei de um torneio em minha cidade, Camaquã (RS). Ninguém era profissional na ocasião e venci o torneio. Os organizadores me orientaram a investir no cenário, que eu poderia ter chances. Treinei, me esforcei bastante, e na etapa final FIWC 2017, eu estava lá”.

Os grandes eventos, com grandes protagonistas, costumam ser um local interessante para conferirmos novidades. Perguntamos aos os jogadores se o FIFA Interactive World Cup mostrou alguma tendência e os três foram unânimes: a estratégia “4-2-3-1”. Eles citaram que muito dos 32 jogadores usaram essa opção, que atrapalhou em muito quem não conseguiu se adaptar.

DIVULGAÇÃO/FIWC 2017

Lucasrep98 comemora passagem para fase final do mundial de Londres.
Lucasrep98 comemora passagem para fase final do mundial de Londres.

Foi o caso de Rafifa13, que “já esperava a escolha”, pois o francês Chevrey “RocKyy” Corentin foi campeão do FIFA 17 Ultimate Team Championship Seriescom essa formação em maio, usando bastante os pontas e a proteção de corpo para manter a posse de bola. “90% dos participantes do FIWC focaram nessa estratégia. Posso dizer que atrapalhou meu desempenho”, conta.

O que fica de legado para o cenário brasileiro é que podemos fazer mais. Os jogadores daqui tem condições de ter conquistas no exterior, ser contratados por grandes clubes, pois o Brasil é protagonista em FIFA.

Rafael ‘Rafifa13’ Fortes

“Não é minha tática favorita, apesar de ter vencido em Miami com ela. Sou um jogador que usa normalmente a ‘4-1-2-1-2’ e não consegui me adaptar nas partidas. Fiz várias mudanças ao longo da fase de grupos, mas infelizmente não consegui a classificação. Pouquíssimo optaram pelo ‘4-3-3’ em Londres”, explica Rafifa13.

Entre aqueles que optaram pelo “4-3-3” estavam Lucasrep98 e Zezinho23xx, uma formação que privilegia as pontas e espalha o time a partir do meio de campo e ataque. Lucasrep98 disse que “percebi que a maioria ‘4-2-3-1’, uma formação compacta e que prejudicou o jogo de vários participantes. Não me afetou muito, pois joguei no ‘4-3-3’ e abri o jogo. Deu para apreender bastante e levar uma experiência para o futuro”.

DIVULGAÇÃO/EA SPORTS

Rafifa13 e Lucasrep98 disputaram a final do regional de Miami do FIFA 17 Ultimate Team Championship Series.
Rafifa13 e Lucasrep98 disputaram a final do regional de Miami do FIFA 17 Ultimate Team Championship Series.

Apesar de não ter sido um ano com um brasileiro no topo, os jogadores dizem que o cenário brasileiro saiu fortalecido nessa temporada 2017. Para todos, o ano foi muito positivo e mostrou que o Brasil também é uma das forças em FIFA. Para Lucasrep98 e Zezinho23xx, 2017 foi o primeiro ano no cenário competitivo, já marcado por feitos de grande valor.

Lucasrep98 relembra dizendo “para mim foi muito bom. Fui campeão entre os jogadores de PlayStation 4 em Miami e geral no regional das Américas no FIWC. Só tenho que agradecer”. Já Zezinho23xx fala com emoção sobre sua temporada: “Nem nos maiores sonhos eu imaginava algo como aconteceu. Só jogava de final de semana e ficar em 16º no ranking da FIWC, entre milhões que estiveram na temporada competitiva, foi fantástico”.

Quanto ao futuro brasileiro no cenário competitivo, Lucasrep98 acredita que os jogadores daqui “mostraram que têm capacidade de ir para o exterior e bater de frente com qualquer um” e que apesar dos problemas de visto, como aconteceu com aqueles jogadores não estiveram em Vancouver para a regional do Ultimate Series, ele tem certeza “estaremos ainda mais fortes na próxima temporada para vencer os títulos mais importantes”. Zezinho23xx completa a análise de Lucasrep98: “depois desse ano, com o investimento da FIFA e EA, mais pessoas jogarão FIFA, fortalecendo nosso cenário”.

Rafifa13 tem bastante a comemorar, já que é responsável direto pela abertura do mercado mundial para o brasileiro. Após a conquista da regional de Miami no Ultimate Series, o jogador assinou com o time francês do Paris Saint Germain. “O saldo temporada é muito bom para mim. Digo que esse foi o primeiro no qual os jogadores puderam ‘viver de FIFA’. Houve uma grande entrada de clubes nos eSports, como no meu caso e o Paris Saint-Germain, além o Stuttgart, entre outros. O que fica de legado para o cenário brasileiro é que podemos fazer mais. Os jogadores daqui tem condições de ter conquistas no exterior, ser contratados por grandes clubes, pois o Brasil é protagonista em FIFA. Espero que, a partir deste ano, vários jogadores tenham a mesma oportunidade que eu, para vencer no exterior”, conta Rafifa13.

DIVULGAÇÃO/PSG

Rafifa13, jogador da equipe de eSports do PSG, acredita que 2017 mostrou o valor dos brasileiros.
Rafifa13, jogador da equipe de eSports do PSG, acredita que 2017 mostrou o valor dos brasileiros.

Por falar em PSG, outro brasileiro marcou a história recente do clube francês: Neymar Jr. Perguntamos qual o possível impacto do atacante brasileiro no PSG aos eSports. Rafifa13 acredita que é bastante positivo, que está “110 % preparado e disposto para ações em conjunto” e tê-lo como maior nome do time e um compatriota nos eSports, ambos brasileiros, pode facilitar.

“Acho que tem tudo para agregar valor à projetos de eSports do PSG”, conta o ‘companheiro’ de PSG. “O Neymar é um aficionado por jogos, gosta de Counter-Strike e de jogos de futebol. Quando ele estiver mais adaptado ao clube, quando a poeira da transferência do Barcelona baixar, talvez ele possa fortalecer ainda mais os eSports do PSG e de todo cenário”.

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