Lançado na última quarta-feira (20), o terceiro — e último — episódio de Life Is Strange: Before the Storm chegou para fechar as pontas soltas deixadas pelos capítulos anteriores. E, se a Deck Nine conseguiu concluir bem a história que se propôs a contar e trouxe muitos momentos marcantes, ela falhou em um ponto muito importante: o desenvolvimento de personagens.

É difícil discorrer sobre o que acontece sem entrar no campo dos spoilers, especialmente quando falamos da terceira parte de uma história. Assim, vou me limitar a dizer que o que mais me decepcionou no game foi a maneira como uma de suas figuras centrais — alvo de muita antecipação nos capítulos anteriores — é tratada.

Se no começo há indícios de que os jogadores vão se deparar com um grande encontro emocionante e repleto de revelações, a maneira como isso se desenrola decepciona. No lugar do grande momento emocional que a Deck Nine estava prometendo, temos uma conversa que traz soluções simples demais e que parece apressada, especialmente diante de tudo o que vimos até o momento.

Isso sem contar que diversas das revelações mais “bombásticas” de Before the Storm perdem qualquer peso quando sabemos que elas não têm qualquer influência no Life is Strange original — que serve como sequência de Before the Storm. Assim, parece que elas existem mais como uma forma de “apimentar” o roteiro do que como algo criado para trazer mais coerência a esse universo.

Life is Strange

Felizmente, no que realmente importa, o jogo é bem-sucedido: a relação de Chloe e Rachel é muito bem-desenvolvida pelo capítulo, e finalmente é possível entender a importância que uma dá a outra — o que só torna ainda mais agonizante e triste a cena que surge após os créditos. Também devo elogiar a apresentação de alguns personagens secundários, que se transformam de maneira bastante natural naquilo que vemos no jogo original.

Em resumo, Life is Strange: Before the Storm — Hell is Empty deixou um gosto agridoce: ao mesmo tempo em que gosto de seus personagens, não consigo ignorar que muitos pontos de sua trama são concluídos de maneira decepcionante. O resultado final é uma experiência que agrada, mas que não chega nem perto do brilhantismo do trabalho feito pela Dontnod.