Jogos “ruins” merecem ter uma segunda chance?

Jogos “ruins” merecem ter uma segunda chance?

Abril 27, 2018 0 Por Morpheus

Você sabe o que é “epifania”? Bom, muitos não conhecem o termo, então vou explicar. Ter um momento de epifania é quando você subitamente entende a essência de alguma coisa. Talvez eu esteja “falando difícil”, então vou simplificar: imagine que você tem um quebra cabeça de nove peças. Uma dessas peças obviamente estará no meio e as outras oito contornam essa peça. Agora, imagine que você perdeu a peça do meio. Você consegue montar o quebra-cabeça, mas falta aquela parte do meio, e por ela não estar presente, você não sabe que imagem tentou montar ali. Frustrante, não? Agora, imagine que você achou a peça do meio, encaixou, e finalmente viu o que o quebra-cabeça queria te mostrar. Esse é um momento de epifania! De repente, você conseguiu encaixar a última peça do quebra-cabeça e finalmente entendeu o que era aquilo; finalmente captou a essência da coisa. Agora que isso já ficou claro, o que exatamente seria uma “epifania gamer”? É agora que eu quero contar com uma experiência que eu tive há alguns anos e que mudou a minha perspectiva e meu modo de ver os jogos.

Este jogo foi Sonic Triple Trouble, para Game Gear. Eu tinha acabado de adquirir um Game Gear e estava testando alguns jogos em emulador para ir vendo quais jogos me agradavam, assim eu não gastaria minha grana comprando jogos que eu achasse ruins. Eu ainda não havia jogado direito esse jogo, então resolvi testá-lo. A princípio, eu achei bem esquisito: os personagens pareciam meio “escorregadios” e havia água já na primeira fase. Tinha o Sonic e o Tails, os gráficos eram bonitinhos, e também tinha o Knuckles e um novo personagem, Nack (conhecido como Fang no Japão). O problema é que eu não conseguia ver nada além disso; o jogo me parecia apenas mediano e não ter nada que justificasse a compra do cartucho, e olha que eu sou super fã do ouriço. Passado algum tempo, resolvi dar uma segunda chance ao jogo, e minhas impressões sobre ele não mudaram. Não é que o jogo fosse ruim, ele apenas não tinha nada de especial a oferecer ou, pelo menos, eu não havia conseguido enxergar isso na época. O tempo foi passando e eu dei várias outras chances ao jogo, até que desisti.

Pois bem, um belo dia, eu estava na casa da minha avó, sem absolutamente nada para fazer. Fui mexer no PC dela, que por sinal é fraquinho para jogos, mas que tinha internet (ainda que fosse lenta). Resolvi baixar um emulador, por crer que ele rodaria no PC simples e porque seria rápido baixar uma ROM. Não sei por que raios, mas resolvi baixar o Sonic Triple Trouble, do qual eu já havia desistido. Se não estou enganado, pensei algo como: “vou jogar esse jogo até o final só para não dizer que nunca o fiz”. Bendito seja esse dia! Após jogar o jogo de forma despretensiosa, eu vi o quanto ele era ótimo: tem ótimos gráficos; boas músicas; várias adições à jogabilidade, como um monitor com uma prancha para o Sonic “surfar no gelo” na fase Robotnik Winter; a possibilidade de Sonic e Tails pegarem esmeraldas, e os Special Stages que eram super originais, diferente de tudo o que já havia visto nos jogos anteriores.As fases também são bem maiores que as de Sonic Chaos, repletas de loops e com um design de fases que lembra muito os jogos do Mega Drive. De um dia para o outro, o jogo deixou de ser mediano e se tornou um dos melhores jogos 8-bit do Sonic que eu já havia jogado.

Mas como foi que eu não enxerguei todas essas qualidades antes? O motivo é simples: eu não estava jogando para me divertir; estava jogando pra analisar, e esse foi meu grande erro. Eu comecei a jogar o jogo querendo avaliá-lo, querendo ver se ele era bom mesmo e se alguma coisa justificava eu comprá-lo. Tudo bem que alguns jogos são tão bons que logo na primeira jogada você já fica apaixonado, mas nem sempre é assim. Quando eu joguei por jogar, sem pensar em avaliar o jogo, eu acabei me divertindo bastante e notando várias qualidades que passaram despercebidas nas minhas primeiras jogadas. Tanto que pouco tempo depois eu comprei o cartucho e foi um dos jogos que mais joguei no meu Game Gear.

Também tive experiências semelhantes com outros jogos? Sim. Mas qual é o meu objetivo aqui? É dizer que um jogo muitas vezes pode não brilhar aos seus olhos de primeira, mas muitos jogos podem merecer uma segunda chance. Jogue com calma, com tempo, sem se preocupar se o jogo é bom. Jogue para se divertir, e quem sabe você não descubra muitas coisas boas, como aconteceu comigo. Tenha seus momentos de epifania gamer! Dê uma segunda chance! Abandone o preconceito com as ideias de certos jogos e jogue, divirta-se e construa suas próprias opiniões! Não se baseie apenas nos reviews e nas opiniões “especializadas”. Dê aos jogos as chances que eles merecem e tenha você mesmo as suas próprias experiências! Pode ser que você passe a gostar de muitos jogos. Já pensou em fazer algo novo hoje? Como sugestão final, quem sabe você não se diverte até mesmo com jogos de cassino da NetBet? Lembre-se de que Sonic está sempre “rolando” pelos cassinos.